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Com o uso dos equipamentos, é possível fotografar a barragem por todos os ângulos e gerar modelos em 3D. Qualquer movimentação de terra pode ser percebida se o monitoramento for constante

A plataforma Building Information Modeling (BIM) pode ser usada para o planejamento mais eficiente de qualquer construção. E isso inclui barragens. O tema veio à tona após o rompimento da estrutura em Brumadinho (MG), que mobilizou centenas de empresas de tecnologia para auxiliarem no resgate às vítimas. Em um primeiro momento, o uso de drones foi o mais discutido, mas outras ferramentas podem ser usadas para prevenção e reparação de danos.

O BIM utiliza um modelo virtual em três dimensões para projetar toda a construção antes de iniciar os trabalhos no canteiro de obras. Uma vantagem em relação ao modelo CAD, mais conhecido e usado atualmente, como explica o Arquiteto Alexander Justi, Especialista na plataforma. “Todos os projetistas em CAD trabalham em duas dimensões e as informações para análise do projeto se tornam complicadas, porque se vê tudo planificado. Em BIM, você consegue ver em 3D”, afirma Justi. Os possíveis testes de serem feitos na plataforma BIM incluem a medição de pressão de volumes, como a que os rejeitos de minérios exercem na parede de barragens. “É possível ver onde as massas estão concentradas, se elas são de materiais diferentes, se em um lado tem mais massa de um tipo de material que em outro. É possível fazer cortes e ver onde é necessária uma melhoria, uma compensação”, exemplifica Justi. “São coisas que não dão para fazer com projeto de CAD, o engenheiro deve ter feito isso em planilhas. Se tivesse feito em BIM, com modelo tridimensional, ele poderia ter feito diversos testes e analisado pelo menos a pressão”, completa.

 

Se metade das empresas adotarem o modelo BIM na próxima década, projeta-se que a economia da construção civil brasileira crescerá 7%. Isso significa um aumento de R$ 21,9 bilhões no PIB do setor nos valores de 2018, segundo aponta dados da Coordenação de Planejamento e Inteligência da ABDI. O processo de elaboração dos projetos em ambiente virtual permite o levantamento de quantidades, a estimativa de gastos e a realização de análises diversas. “A estimativa é de redução de 9,7% dos custos totais da obra e de 20% dos custos com insumos. A partir de simulações nas várias dimensões, da arquitetura, fundação, estrutura, às instalações hidráulicas e elétricas, por exemplo, é possível prevenir erros e corrigir inconsistências no planejamento”, destaca Talita Daher, Coordenadora de Difusão Tecnológica da ABDI.

O uso da ferramenta de modelagem de construção pode ser complementado com outras tecnologias, como drones e sensores de terremoto. Com o uso dos equipamentos, é possível fotografar a barragem por todos os ângulos e gerar modelos em 3D. Qualquer movimentação de terra pode ser percebida se o monitoramento for constante. “O modelo BIM vai mostrar uma diferença de centímetros caso a terra se mova. E claro, pode-se colocar sensores de movimentação, como se fossem sensores para detectar terremotos ou deslizamentos”, aponta Justi. A cadeia produtiva da construção civil, que engloba mais de 250 setores, pode consultar, pesquisar e fazer o upload ou download de objetos BIM na plataforma digital.

Fonte: ABDI

 


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