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Construção civil retoma boom em Campinas

Quem pretende adquirir um imóvel em Campinas já notou a retomada dos lançamentos imobiliários na cidade. Balanço do setor da construção civil apresentado ontem pelo Sindicato da Habitação (Secovi-SP) indica que o mercado teve crescimento de lançamentos imobiliários em 2014, o que coloca Campinas na contramão o Estado e do País, que registraram desaquecimento. Além disso, o setor está otimista com as perspectivas de novos negócios para o ano de 2015, quando deve voltar a ser registrado crescimento.

Um dos motivos para os resultados positivos foi a liberação de lançamentos que ainda estavam represados em função da crise política que afetou a cidade em 2011 e 2012 e que levou à cassação do prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT). Em 2010, as perdas no setor chegaram a 75%.

Segundo a entidade, as aprovações de novos imóveis residenciais em Campinas passaram de 1.579 unidades em setembro de 2013 para 3.771 imóveis até julho deste ano — aumento de 138,8% nestes onze meses. Considerando o período entre agosto de 2011 e o primeiro semestre deste ano, foram lançadas 8.166 unidades e vendidas 5.526 unidades.

O estoque excedente deve atender o mercado nos primeiros meses de 2015. Nos últimos três anos a média de lançamentos na cidade foi de 2,5 mil a 3 mil unidades, com vendas de 2 mil a 2,5 mil por ano. Segundo o Secovi, 80% das empresas que apostavam no mercado de Campinas já estão ativas depois da crise, o que fortalece a tese da recuperação do setor em 2014.

“Campinas é uma das cidades com desempenho do mercado imobiliário acima da média nacional graças aos lançamentos que estavam represados”, diz Cláudio Bernardes, presidente do Secovi-SP. Enquanto na cidade de São Paulo a expectativa é de que o ano feche com queda de 40% nas vendas e de 25% nos lançamentos — na média do Brasil, a queda nos lançamentos foi de 15% a 20% — em Campinas as empresas do setor registraram aumento de 15% nas vendas este ano. Imóveis populares dominaram o mercado na região do Campo Grande, enquanto que os produtos e alto padrão continuaram a se concentrar no Cambuí e seu entorno. Outros quadrantes da cidade que sentiram a retomada do mercado foram Barão Geraldo e a região da Ponte Preta.

A baixa taxa de desemprego, que gera segurança na contratação do financiamento imobiliário e consequentemente no volume de imóveis comercializados no período, e as condições demográficas de crescimento populacional, são listadas como fatores que tornam o setor imobiliário diferente de outros segmentos da economia. “O mercado de Campinas tem que aproveitar esse momento para equilibrar a oferta e a demanda, evitando a flutuação de preço”, acrescenta Bernardes. Na Capital, segundo ele, a retração é explicada por um “engessamento” provocado pelo Plano Diretor.

“São Paulo precisa urgentemente de uma revisão no Plano Diretor para favorecer os lançamentos imobiliários. Os municípios da região metropolitana acabaram atendendo à demanda do setor.”

Este ano, na Região Metropolitana de Campinas (RMC) a Caixa Econômica Federal liberou R$ 600 milhões do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo para as construtoras que atuam no mercado. Para pessoa física o montante chegou a R$ 1,2 bilhão. No programa Minha Casa, Minha Vida para imóveis de até R$ 190

mil foram 7 mil unidades financiadas, e 12 mil imóveis na faixa de zero a três salários mínimos, o que aponta crescimento de 30% em relação ao desempenho do mercado no ano passado.

Fatores

O economista-chefe do SecoviSP, Celso Petrucci, confirma a riqueza na cidade a partir de um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) acima da média nacional, enquanto que o crescimento populacional foi no período de 2000 a 2014 foi de 120 mil habitantes. São fatores que somados levaram ao equilibro das vendas de imóveis na cidade nos últimos anos. A população continua precisando de imóvel. Um levantamento da entidade revela que o mercado é impulsionado pelos compradores do primeiro imóvel, pessoas entre 25 e 35 anos.

“O mercado de Campinas não vai passar pelos problemas de São Paulo e deverá continuar crescendo em 2015”, projeta o economista do Secovi-SP.

 

Da Redação, original Correio Popular.


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