MATÉRIAS

Quatro anos após a Copa do Mundo de Futebol de 2014, realizada no país, 41 obras foram listadas pela BBC News Brasil como inacabadas, paralisadas ou abandonadas. A derrota por 7 a 1 para a Alemanha não foi o único passivo que ficou do mundial que aconteceu em 12 cidades brasileiras. Curioso é que o algoz da seleção canarinha também carrega um dos maiores desastres da história recente da construção civil: o aeroporto Berlim-Brandemburgo, que está há 10 anos em obras. Conhecido na língua germânica por Hauptstadtflughafen, sua inauguração era esperada para 2012. Os dois exemplos endossam um estudo da Escola de Negócios da Universidade de Oxford, na Inglaterra, que diz que 90% dos projetos de infraestrutura no mundo estão fora do prazo ou ultrapassaram os gastos (não) planejados.

Para não criar elefantes brancos da indústria da construção, planejamento, investimento em tecnologia e alternativas inovadoras são fundamentais. Foi pensando nisso que o OKARA Hub selecionou empresas para seu programa de tração de startups que mostram como a utilização estratégica dos recursos pode salvar projetos e obras.

Tudo começa no planejamento

Observando o mercado da engenharia civil que vinha em um boom em 2013, Alyson Tabosa percebeu que havia um grande problema de ineficiência no setor de compras e criou a CoteAqui, que conecta fornecedores e construtoras com a elaboração de quadros de concorrência de orçamentos em todo o território nacional. A utilização da plataforma criada resulta entre 10 e 15% de economiana compra de materiais e 66% de ganho de eficiência do setor de suprimentos, com a eliminação de tarefas operacionais como montagem de planilha, telefonemas e envio de e-mails.

Já o Gero Obras, outra ferramenta digital, analisa projetos a partir de apenas cinco dados: onde é feito, o número de pavimentos, a metragem total a ser construída, o tipo de acabamento interno/externo e data de início, e fornece um planejamento com projeções para toda a obra. Com ela, é possível fazer grandes orçamentos em apenas 2 minutos, com precisão superior a 97,5%. “Com o tempo ganho, esses profissionais podem dedicar-se a tarefas às quais são insubstituíveis e acompanhar, inclusive, os dados de performance das equipes no canteiro de obras, função também disponibilizada pelo aplicativo do Gero”, diz Antônio Rezende, sócio-fundador da startup.

Uma forcinha que vem dos ares

O monitoramento e a análise de dados durante a execução dos projetos também passou a ser imprescindível para o sucesso dos empreendimentos. De oito a 10 vezes mais rápido que o homem na coleta de informações, os drones chegaram para colocar as operações no canteiro em dia e ainda economizar até 50%, com a redução do tempo gasto para executar as atividades. Além disso, é possível usar modelos específicos, como os que a Levitar Drones utiliza em trabalhos como lançamento de cabos e até transporte de pequenas cargas.

Para o sócio Luis Carlos Filho, que atua no setor de aviação há quase 15 anos, além das vantagens operacionais o emprego de drones garante ganhos de valor para a empresa. “As informações são sistematizadas e ficam disponíveis para todos os profissionais que necessitam acompanhar os processos. Há redução de custos e também ganho de qualidade no tratamento dos dados que é feito por softwares”, conta.

Tecnologia simples que gera (muita) economia

Depois de bem planejados e com acompanhamento acurado, os projetos de construção civil podem continuar sendo exemplos de sustentabilidade econômica e até ambiental. Desmistificando a ideia de que para ser tecnológico tem que ser complicado, o engenheiro Carlos Rosa desenvolveu uma solução sustentável para reduzir e até eliminar o uso de água potável em descargas de vasos sanitários. O EkonoWater filtra e trata a água em dois processos para voltar a ser utilizada no vaso. Com o reuso de água e o aproveitamento de água de chuva de um prédio comercial ou residencial, é possível economizar até 70%na conta de água, além preservar o meio ambiente.

A estimativa em seu projeto piloto de grande porte é economizar durante um ano 11 milhões de litros de água, em um prédio de 20 andares, no qual 2.500 pessoas circulam diariamente. Sua manutenção exige a limpeza e troca do filtro, que custa R$ 15,00, a cada seis meses. Estratégia que mostra como os ganhos podem ser duradouros, mesmo após o fim da execução das obras.

Fonte: Exame 


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