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A acessibilidade na construção civil

 

Roberta Suzuki

Ainda pouco discutida no Brasil a acessibilidade nas construções vem se tornando assunto recorrente, principalmente com a chegada de importantes eventos, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Rampas, corrimão, espaço para circulação da cadeira de rodas, vaga de estacionamento reservada, sanitários e elevadores adaptados são alguns dos quesitos básicos quando o assunto é garantir o acesso dos deficientes físicos. Mais do que ficar atento a estes itens, é preciso seguir às normas e leis de acessibilidade ao criar espaços não somente para pessoas com deficiência temporária ou permanente, mas também para indivíduos com estatura diferenciada obesos, idosos, gestantes e crianças.

De acordo com a professora Roberta Suzuki, diretora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Cidade de São Paulo (UNICID), ao planejar uma reforma ou construção, é importante contratar um profissional de arquitetura que tenha conhecimentos técnicos,das normas e leis, como a Norma Técnica Brasileira (NBR) 9050/04 e o Decreto 5.296/2004, que determinam que projetos de edificações públicas ou de uso coletivo sejam acessíveis.

Obra24Horas: O Brasil é um País muito atrasado com relação à acessibilidade nas construções. Como mudar isso?

Roberta Suzuki: No Brasil ainda não é dada a devida importância para a acessibilidade, no entanto, não podemos negar que ocorreram diversos avanços nos últimos anos. Anteriormente, era raro ver pessoas com deficiência circulando pela cidade, mas hoje nós as encontramos com frequência nos transportes públicos, nas escolas e nas ruas, porém, esta circulação ainda é considerada baixa se levarmos em consideração que falamos de uma população com cerca de 24 milhões de pessoas. Por isso, acredito que um avanço seria unir as ações que atuam isoladamente e transformá-las em uma ação conjunta com o poder público.

Obra24Horas:
Eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas serão importantes para essa mudança?

Roberta Suzuki:
Com certeza. A Copa do Mundo deve gerar o cumprimento das normas de acessibilidade e os Jogos Olímpicos, provavelmente terão maior atenção, já que em seguida terão os Jogos Paraolímpicos, evento no qual terá grande concentração de pessoas com deficiências. Portanto, as instalações e acessos deverão atender todas as necessidades.

Obra24Horas: O que é preciso na hora de adaptar uma construção?

Roberta Suzuki: Inicialmente, é fundamental que um profissional avalie o local para propor um projeto de acordo com as necessidades e as normas de acessibilidade. Rampa de acesso, corrimão, espaço para circulação da cadeira de rodas, vaga de estacionamento, sanitários e elevadores adaptados são alguns dos quesitos básicos para garantir o acesso de todos. 

Obra24Horas: É possível fazer adaptações sem mudar toda a construção?

Roberta Suzuki: É possível quando não há problemas de espaços, por exemplo, se for necessário contemplar acessórios como barra de apoio, bancos fixos, mobiliário adequado, entre outros. É importante analisar individualmente o local que terá a intervenção, pois não existem modelos prontos que possam ser aplicados. Em adaptações existentes deve-se levar em consideração as variáveis que interferem no resultado final para atender todas as necessidades.

Obra24Horas: Locais públicos, como restaurantes e hotéis, que não são acessíveis, pagam multa ou tem algum prejuízo pela falta de acessibilidade?

Roberta Suzuki: O estabelecimento recebe advertência e prazo para readequação. Caso o prazo não seja cumprido, são aplicadas multas mensais até a total adequação do estabelecimento.

Obra24Horas: Você tem percebido um aumento da preocupação de construtoras em atender todo tipo de público, desde os deficientes, até idosos e obesos?

Roberta Suzuki: É uma preocupação que está evoluindo, mas percebo que, por enquanto, ela se concentra apenas em atender as exigências das leis de acessibilidade.

Obra24Horas:
Quais são as dicas, que você daria para os estabelecimentos que querem se tornar acessíveis?

Roberta Suzuki: De modo geral, as dicas são: não haver desníveis acima de 0,5cm a partir da rua; atender as normas em relação ao número de sanitários para deficientes de acordo com a capacidade do número de pessoas do local; respeitar circulação para cadeira de rodas e vão de passagem de no mínimo de 0,80m; e ter ao menos um cardápio em braile, no caso de restaurantes.

Obra24Horas:
Para um espaço que quer se tornar acessível, qual o primeiro passo a ser dado?

Roberta Suzuki:
O primeiro passo é realizar uma consulta com um profissional da área que possa avaliar o local e propor um projeto de acordo com as necessidades e as normas de acessibilidade. 

Obra24Horas:
Alguma outra consideração relevante.

Roberta Suzuki:
Como os avanços da medicina têm permitido que cada vez mais as pessoas tenham a vida prolongada, acarretando uma profunda mudança no perfil demográfico da sociedade brasileira, pessoas com mais de 60 anos representam uma grande parcela da população. Daqui a 20 anos, este número crescerá significantemente. Por isso, é essencial melhorar as qualidades das edificações e da cidade, projetando-as com base nos princípios do Desenho Universal, para trazer qualidade de vida em todas as etapas de vida e circunstâncias.

 

Entrevista para a jornalista Érica Nacarato, redatora do Portal Obra24horas.

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