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Planejamento prévio ajuda a evitar atritos entre compradores e construtoras

 

Patrizia Chippari
Como em quase tudo na vida, na construção civil também é sempre mais prudente investir em prevenção do que em remediar problemas. Há casos em que mesmo pequenas diferenças entre a planta usada no material de venda e o imóvel entregue, geram atritos sérios, que atingem a imagem da empresa responsável pela obra e podem até dar início a uma discussão nos tribunais. Pilares que avançam sobre vagas para automóveis e as chamadas "muchetas" estão entre as causas mais comuns de problemas.

Para evitar - ou minimizar - as interferências, é prudente que seja feita a chamada pré-compatibilização, ou seja, uma primeira sobreposição entre a estrutura e o projeto arquitetônico que será protocolado na prefeitura. Assim é possível desenvolver o material de vendas com mais segurança.

Confira a entrevista com a arquiteta da Espaço Livre Arquitetura, Patrizia Chippari.

Obra24Horas: A falta de planejamento ainda é um problema no setor da construção civil?

Patrizia Chippari: A necessidade de melhorar o planejamento na construção civil é um desafio a ser assumido e enfrentado. O positivo é que muitas empresas já entenderam essa importância e assumiram o desafio de adotá-lo na prática. Mas esse é um processo ainda em andamento. Depois de resolver as questões de projeto e planejamento, ainda há o processo de melhoria no canteiro de obras. Há problemas históricos a resolver. Um deles é ter mão de obra cada vez mais qualificada.

Obra24Horas: Você acredita que isso seja um reflexo da cultura do brasileiro ou em outros países também ocorre esse problema?

Patrizia Chippari: Não é uma questão cultural, mas talvez de hábito do setor. O que estimula a mudança, em grande medida, é a concorrência, a necessidade de evitar ao máximo o desperdício. Isso é necessário para preservar a margem financeira das empresas e também para garantir a sustentabilidade. Esse não é somente um problema nosso, mas de todos. Mas é fato que em alguns países essa já é uma realidade presente há mais tempo.

Obra24Horas: Quais são os principais problemas encontrados pelo comprador do imóvel na planta ao receber as chaves?

Patrizia Chippari: Um problema que costuma ocorrer – e gerar atritos – é a identificação de diferenças entre o previsto no material utilizado para a venda do imóvel e o que está efetivamente executado. Vagas de garagem menores do que o previsto e a ocorrência de recortes na parte interna do imóvel causam um profundo mal estar entre os compradores e as construtoras. São os problemas identificados mais rapidamente e, por isso, os que causam maior irritação nos compradores.

Obra24Horas: Isso se deve a uma falta de transparência das incorporadoras ou realmente é falha do consumidor que não procurou se informar na hora da compra?

Patrizia Chippari: Não se trata de falta de transparência. A falta de planejamento causa problemas também para as construtoras. Além do potencial desgaste na relação com clientes, as construtoras perdem dinheiro quando há problemas de falta de planejamento na obra. O “aparecimento” de uma tubulação em área inadequada, por exemplo, pode exigir que o pessoal da obra faça mudanças de última hora na execução do serviço. Isso muitas vezes gera retrabalho e desperdício de material e tempo.

Obra24Horas: Como esses problemas poderiam ser amenizados?

Patrizia Chippari: O planejamento é a chave da questão, principalmente quando feito antes do início da obra, evita ou minimiza problemas. No caso do projeto arquitetônico, é necessário que se faça a compatibilização com todos os projetos de engenharia e, a partir daí, gerar os projetos executivos que irão para o canteiro de obras. É fundamental minimizar “surpresas” no canteiro de obras. Essas surpresas – a ocorrência de tubulações em locais onde há vigas, exigindo alterações de última hora, por exemplo – exigem retrabalho e aumentam o desperdício. Depois do imóvel pronto, são imperceptíveis, mas podem causar problemas, por exemplo, quando o morador precisa furar uma parede e não tem a localização exata de um tubo. A compatibilização evita isso.

Obra24Horas: De que forma o planejamento traz benefícios para as construtoras, em longo prazo, incluindo o ponto de visa econômico?

Patrizia Chippari: O principal ganho é o econômico. O planejamento, a gestão e a compatibilização de projetos antecipam a análise e a solução dos conflitos entre os projetos, o que minimiza problemas no canteiro de obras. O resultado é a diminuição do retrabalho e do desperdício, o que influi diretamente no custo da obra.

Obra24Horas: Falta preparo por parte dos profissionais da construção civil? Como prepará-los adequadamente?

Patrizia Chippari: Há hoje diversos cursos que tratam da gestão do projeto. Mas essa ainda é uma prática recente no País. O número de profissionais especializados ainda é pequeno, mas vai crescer impulsionado pela própria necessidade do mercado.

 

 

Entrevista para a jornalista Érica Nacarato, redatora do Portal Obra24horas.

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