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Mercado de loteamentos segue em crescimento apesar da crise

 

 
O cenário econômico no Brasil não vive uma boa fase e o mercado imobiliário passa por uma depressão, após um longo período de crescimento constante. 2015 foi o quarto consecutivo com redução de lançamentos. A prioridade ainda foi a venda de estoques que aumentou devido aos distratos decorrentes de restrições de crédito imobiliário. Na contramão desse cenário, o mercado de loteamentos não se sente afetado pela economia e nem pelas restrições atuais das linhas bancárias, uma vez que em sua maioria trabalham com financiamento próprio.

Conversamos com Marcos Dei Santi e Raquel Dei Santi, diretor e arquiteta e urbanista na Cemara Loteamentos, respectivamente, sobre o mercado de loteamentos e o que esperar para 2016.

Obra24Horas: Como o mercado de loteamentos deverá se comportar em 2016?

Marcos Dei Santi: Deverá se comportar igual a 2015, com aumento relativo de inadimplência, maior dificuldade na tomada de decisão de compra e aumento da concorrência, com lotes e unidades em estoque,  além de menos lançamentos novos. 

Obra24Horas: Há uma vantagem desse mercado de loteamentos em relação ao mercado de imóveis prontos ou na planta?

Raquel Dei Santi: A vantagem é que você não precisa fazer um investimento maior num curto prazo. Além de ser mais barata a compra do lote somente, o prazo para pagamento é bem estendido. O cliente também tem a oportunidade de construir uma casa como sempre sonhou. 

Obra24Horas: O que torna um projeto de loteamento residencial bom para o comprador? Ou seja, quais são os pontos que a pessoa interessada deve se atentar? 

Raquel Dei Santi: O projeto, antes de mais nada, deve oferecer qualidade ambiental. Quando falo ambiental, quero dizer não só a vegetação, mas sim o meio em que vivemos. É essencial levar em conta aspectos como: mobilidade, recreação, localidade, saneamento, segurança, ofertas de trabalho e educação – que estejam próximos ao lote. O consumidor deve estar atento aos acessos para o loteamento, serviços oferecidos no entorno (escolas, creches, supermercado, ônibus, posto de saúde etc..), topografia do terreno, fluxo de trânsito nas ruas ao redor do lote e destinação do lote. 

Obra24Horas: Qual é o principal perfil do consumidor de loteamentos e como atraí-lo?

Marcos Dei Santi: É um consumidor que procura um melhor custo-benefício, em relação à compra de  um imóvel pronto, já que ele poderá definir o prazo e um orçamento para cada fase de sua obra. Ele também opta, na maioria das vezes, por ter um espaço maior para viver e ainda ter qualidade de vida em um bairro com infraestrutura completa e, na grande maioria, com áreas comuns para lazer. Para atraí-los, a Cemara investe em projetos inovadores em seus empreendimentos.

Obra24Horas: Para o comprador, por que optar por um lote ao invés de outro empreendimento?

Marcos Dei Santi: Construir a própria casa é mais barato do que comprar uma pronta, obviamente que dependerá do custo do terreno, dos materiais e a mão de obra envolvida. Além do preço, outra vantagem da construção é a possibilidade de se fazer uma moradia exatamente de acordo com o gosto dos proprietários. Outro diferencial é o fato de se tratar de um bairro que acaba de sair do papel, com infraestrutura nova: asfalto, rede elétrica, esgotamento sanitário e praças públicas. 

Obra24Horas: Como é, enquanto arquiteta, criar projeto de loteamento? 

Raquel Dei Santi: É uma tarefa trabalhosa e multidisciplinar. São muitas pessoas envolvidas, sempre focadas em desenvolver o melhor projeto urbanístico, com o objetivo de preservar e melhorar o meio ambiente e a infraestrutura aplicada. É preciso pensar na rotina e nos desejos dos futuros moradores. Primeiro, pensamos nas pessoas e como elas poderão interagir entre si e com o meio ambiente. Esta etapa requer bastante estudo e pesquisa comportamental, já que a realidade e os anseios da sociedade sempre evoluem. Criar um bairro hoje não é, definitivamente, o mesmo que criar um bairro há 10 anos. A satisfação deste trabalho ocorre quando acompanhamos as construções das casas, a valorização do mercado imobiliário local, o surgimento do comércio, a utilização das praças públicas e a satisfação das pessoas em falar que moram em nossos bairros. Estes são sinais de que o projeto foi um sucesso, é a concretização do que foi idealizado. 

Obra24Horas: O que há de mais moderno no mercado de loteamento e como esse nicho deverá se desenvolver no futuro? 

Raquel Dei Santi: O que há de mais moderno em urbanismo é a integração de ambientes. É exatamente facilitar a vida das pessoas em seu cotidiano, para que possam desperdiçar menos tempo com locomoção, o que exige um planejamento de um bairro onde o cidadão e sua família possam trabalhar, estudar, se divertir e morar próximo de todas as atividades praticadas. Também é um incentivo à caminhada e o uso de bicicletas, melhorando também a saúde da população. Assim, podemos aproveitar mais o tempo com a família e com a comunidade local, gerando mais qualidade de vida.
 

 

Entrevista concedida para a jornalista Érica Nacarato, do Portal Obra24horas.

 
 
 
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