v Obra24horas | Entrevistas > Eduardo Coutinho
Obra24horas > Entrevistas >
ENTREVISTAS

O novo cenário do mercado imobiliário brasileiro

 

Segundo estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o preço do metro quadrado no Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e Salvador, teve aumento de 1,7% em agosto, valor 0,5 ponto percentual menor que o registrado em julho. Foi o quarto mês consecutivo de desaceleração.

Os lançamentos de um quarto ou sem divisória, por exemplo, subiu 24,5%, na média, na capital paulista no primeiro semestre ante o mesmo período no ano anterior, segundo levantamento da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp). Nos primeiros seis meses de 2010, a elevação havia chegado a 77,2%. No mês de julho deste ano, a alta nos preços foi de 2,1%, menor que a apresentada em abril (2,7%), maio (2,6%) e junho (2,3%).

Essa desaceleração será uma constante, ou nos próximos meses os valores dos imóveis nas capitais e no Distrito Federal voltarão a crescer como vem acontecido nos últimos anos? Entrevistamos o professor do Ibmec, Eduardo Coutinho, para entendermos melhor esse cenário.

Obra24Horas: Ao que você atribui a diminuição do preço do metro quadrado em importantes capitais?

Eduardo Coutinho: A redução na taxa de crescimento do preço do metro quadrado possivelmente é resultado da queda esperada no crescimento da economia para este ano e o próximo. Também podemos especular que o comportamento da taxa nos preços dos imóveis é consequência de um mercado que perde o fôlego, sem que isso signifique que venham ocorrer quedas nos preços dos imóveis.

Obra24Horas: Esse foi o quarto mês consecutivo de desaceleração. Você acredita que essa queda nos preços será uma tendência ou é apenas uma fase?

Eduardo Coutinho: Acreditamos ser uma tendência. O preço dos imóveis cresceu acima do mercado de renda variável nos últimos 10 anos.

Obra24Horas: Com a proximidade da Copa do Mundo e Olimpíadas, ambas no Brasil, provavelmente o mercado imobiliário voltará a se aquecer. Mas e depois, você acredita que ele continuará forte ou a tendência é desacelerar?

Eduardo Coutinho: O aquecimento do mercado imobiliário como resultado dos dois grandes eventos é mais localizado no setor de hospedagem e comercial. Após, esses segmentos devem apresentar desaceleração.

Obra24Horas: Segundo o levantamento do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), no primeiro quadrimestre deste ano, as vendas de residências novas na cidade de São Paulo caíram 43,7% em relação ao mesmo período de 2010. Você acredita que há uma bolha imobiliária no Brasil?

Eduardo Coutinho: Não há elementos que nos permitam fazer afirmações sobre existência de bolhas no Brasil.

Obra24Horas: Se ainda não, como evitar que isso ocorra?

Eduardo Coutinho: As bolhas são definidas como situações em que os preços de algum ativo se descolam de seus fundamentos. A questão da moradia em cidades grandes vai continuar sendo um problema devido à falta de espaço e mobilidade urbana ruim, mantendo a demanda por imóveis alta. Queda grande nos preços desses bens só deverá ocorrer no caso de alguma crise interna muito grave, o que não parece ser o nosso caso.

Obra24Horas: Mesmo com a desaceleração, no acumulado, em 12 meses o preço médio das regiões pesquisadas aumentou 29,7%. Na sua concepção, há um limite para esse aumento?

Eduardo Coutinho: Difícil dizer. Como em qualquer outro mercado, a dinâmica do setor imobiliário depende da escassez do produto e da renda dos consumidores.

 

Entrevista para a jornalista Érica Nacarato, redatora do Portal Obra24horas.

Copyright Portal Obra24horas | 2005-2021
Contato: (011) 3124-5324 | Termos de Uso