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2015: um ano com poucas mudanças para retomada de crescimento em 2016

 

José Romeu Ferraz Neto, presidente do SindusCon-SP
Segundo estimativa do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), 2015 será como 2014 para o mercado de construção. A expectativa é que o setor retome seu crescimento no ano que vem.
Estima-se que nesse ano o mercado imobiliário deve prosseguir em fase de ajuste, uma vez que a renda e o consumo de famílias crescerão menos, segundo as expectativas.

No entanto, a aposta é que em 2016 o crescimento volte, melhora essa prevista com base nos contratos de infraestrutura realizados em 2013, devido a obras de logísticas do governo federal, como ampliação de ferrovias e melhorias em rodovias em todo o País.

Confira a entrevista com José Romeu Ferraz Neto, presidente do SindusCon-SP.

Obra24Horas: Como você analisa o ano de 2014 para o mercado imobiliário? Os resultados foram compatíveis com as expectativas? O ano foi marcado por uma estagnação do mercado, com quedas de vendas e locações. É possível reverter esse cenário em 2015? Como?

José Romeu Ferraz Neto: Sim, o ano foi marcado por quedas de vendas e locações, ao contrário de nossa expectativa no início do ano, de que teríamos estabilidade neste segmento, em comparação a 2013. Neste ano de 2015, teremos uma acomodação, ou seja, poderá ainda haver uma ligeira queda, mas não tão expressiva como aconteceu em 2014, com perspectivas de melhora em 2016. Neste momento estamos assistindo a uma variação de preços dos imóveis que acompanha a inflação, o que confirma a perspectiva de estabilidade nas vendas.

Obra24Horas: Desde 2013 especula-se sobre uma possível bolha imobiliária. Como o Sinduscon-SP analisa esses rumores?

José Romeu Ferraz Neto: Se houvesse bolha, os preços já teriam despencado há muito tempo, o que não ocorreu.

Obra24Horas: Quais são as expectativas para o mercado de construção civil para 2015?

José Romeu Ferraz Neto: Já será muito bom se em 2015 a construção não declinar e conseguir manter o nível de atividade atual. Ou seja, trabalhamos com a perspectiva de crescimento zero. Mesmo assim, será inevitável uma queda, estimada em 2%, no emprego do setor, contrabalançada por aumento da produtividade.

A construção inicialmente já está sendo afetada negativamente pelas medidas de ajuste: a subida dos juros nos financiamentos imobiliários chegou em má hora, em que os negócios no segmento estão em queda e a confiança do investidor lá embaixo. Insumos como a energia elétrica já estão mais caros. A crise da água inspira muita preocupação.

No curto prazo, o mercado imobiliário prosseguirá em fase de ajuste, a renda e o consumo das famílias tenderão a crescer menos.

Obra24Horas: É possível que os preços tanto de construção como de vendas e alugueis voltem a crescer, como nos anos anteriores, ou a fase atual é realmente de preços mais congelados?

José Romeu Ferraz Neto: É mais provável que os preços sigam relativamente estáveis, acompanhando a variação dos custos da construção.

Obra24Horas: O valor do metro quadrado dos imóveis da cidade de São Paulo sempre foi um dos mais altos do País. Esse quadro continuará em 2015 ou a tendência é que ele se iguale a outras regiões?

José Romeu Ferraz Neto: Devido a uma série de fatores, especialmente o preço dos terrenos, o mais provável é que esse quadro continue em 2015.

Obra24Horas: Há alguns anos observa-se uma mudança de cenário, em que as pessoas e mesmo empresas estão optando a sair da capital para o interior. Como você acredita que será esse quadro nesse ano e nos próximos? É importante que a capital se reestruture para evitar isso?

José Romeu Ferraz Neto: É fundamental que a capital se reestruture, porque a imensa maioria de sua população continuará a viver aqui. Esperamos que a Prefeitura consiga agilizar seus projetos de mobilidade urbana, revitalização do centro e expansão urbana, porém sabemos que isso ainda demandará alguns anos.

Obra24Horas: Quais são as principais dicas para o investidor de imóveis. É preciso continuar com cautela?

José Romeu Ferraz Neto: Eu diria que este é um bom momento para o investidor pensar em imóvel. Há uma demanda reprimida ainda bastante elevada por habitação, e isso naturalmente favorece os investidores.

Obra24Horas: Alguma outra consideração importante.

José Romeu Ferraz Neto: Diante da grave crise de confiança que se abateu no País, a sociedade precisa permanecer vigilante. O governo cometeu uma série de erros na condução da política econômica. Agora tenta consertar via aumento de impostos e tributos, uma conta que será paga pelas empresas e pela sociedade. Mas o governo ainda continua inchado, com 39 ministérios e contratando funcionários públicos! Evidentemente, falta o governo fazer um pedaço da lição de casa de contenção de custos e aumento da sua produtividade.

Torcemos para que a saída da crise econômica aconteça o mais rapidamente possível. E uma saída é aumentar o investimento em infraestrutura. Nossas construtoras têm plenas condições de participar de novas licitações de obras, bem como de dar continuidade a obras de outras que eventualmente venham a ter seus contratos cancelados como desdobramento da Operação Lava Jato.

Outra preocupação é com a reforma da Lei de Licitações, que deve ser retomada no Congresso Nacional. Esperamos que, a pretexto de agilizar obras, ela não dê ensejo a novas irregularidades. Ao contrário, nossa expectativa é de que ela contribua para a elaboração de projetos bem amarrados e obras com qualidade.

 

 

Entrevista concedida para a jornalista Érica Nacarato, do Portal Obra24horas.

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