v Obra24horas | Artigos Técnicos > Os novos prefeitos e o desafio das cidades
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No último dia 28, as cidades brasileiras elegeram seus governantes. Neles depositaram a esperança por cidades melhores e com mais qualidade de vida. Observou-se que cada vez mais os eleitores estão atentos a programas de governo. É um processo que caminha a passos lentos, mas já se nota um despertar nessa direção, o que é fundamental para a democracia.

Todos os prefeitos da próxima gestão têm em comum o desafio de colocar em prática suas propostas de campanha. E é bom saber que os cidadãos estão ficando intolerantes com a falsidade e a negligência quanto a compromissos assumidos.

Durante o processo eleitoral, o Secovi-SP ouviu a maioria dos candidatos à prefeitura paulistana.
A eles apresentamos a proposta de novos modelos de ocupação urbana, com adensamento e verticalização inteligentes para acomodar dignamente os habitantes, abrir espaço para áreas verdes, melhor caminhabilidade e mobilidade, enfim, com sustentabilidade.

Aliás, é oportuno lembrar que a cidade de São Paulo demanda 30 mil unidades residenciais por ano, razão pela qual a questão urbanística foi reconhecida como prioridade por todos os candidatos. É patente que não podemos permanecer sob o mesmo diapasão e permitir o agravamento dos problemas já instalados. Estamos no limite no que diz respeito ao trânsito, por exemplo. E existem soluções para planejar o desenvolvimento urbano. Tudo é questão de discutir com a sociedade e fundamental que exista vontade política.

O Secovi-SP, tanto na Capital como nas unidades que o representam nas regiões de Bauru, Baixada Santista, Campinas, Grande ABC, Jundiaí, São José do Rio Preto, Sorocaba e Vale do Paraíba, está à disposição dos prefeitos e vereadores eleitos para apoiá-los com subsídios técnicos. Inclusive, é chegado o momento de promover a revisão dos planos diretores, o que se constitui em grande oportunidade para definir as cidades que queremos.

Todavia, precisamos ir um pouco além. Tempos atrás, o arquiteto e ex-governador do Paraná, Jaime Lerner, definiu que a vida acontece nas cidades. Atualmente, embora as coisas aconteçam nas cidades, a solução para a maioria dos problemas impõe uma visão megametropolitana.

Hoje está tudo muito mais conectado, como é o caso de São Paulo, Sorocaba, Campinas, São José dos Campos e Santos, cidades que compõem uma megametrópole, e poderiam ser utilizadas como modelo de desenvolvimento desse conceito, a exemplo do que existe na Europa, onde há a figura dos “diamantes urbanos”.

É hora de ampliar horizontes, pensar o planejamento das megametrópoles. Isso significa identificar o perfil urbano das cidades, criar conselhos de prefeitos e fóruns de líderes para direcionar a questão, realizar o mapeamento geográfico e ambiental e, principalmente, trabalhar por uma legislação federal específica sobre o assunto.

Vivemos uma nova realidade cujo futuro, como nunca, começa agora.

* Claudio Bernardes é presidente do Secovi-SP (Sindicato da Habitação).

Artigo escrito por Claudio Bernardes

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