v Obra24horas | Artigos Técnicos > Aço galvanizado: o futuro da construção, agora
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A capacidade de atender à demanda crescente por produtos que incentivam a industrialização da construção nas mais diversas áreas faz com que projetos e obras adotem cada vez mais o uso do aço como a melhor opção.

Copa 2014, Olimpíadas 2016, PAC, PAC 2, Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV) e programas habitacionais estaduais e municipais. A soma desses fatores, juntamente com o crescimento do financiamento imobiliário e da renda da população, faz com que os sistemas construtivos pré-fabricados em aço e elementos e acessórios metálicos também apresentem forte incremento no país. Outro elemento importante, a sustentabilidade econômico-ambiental, estimula o uso de estruturas e elementos metálicos galvanizados nas obras inseridas nesses grandes programas e para os megaeventos esportivos.

Em função desse aquecimento do mercado, quatro das maiores empresas do setor de siderurgia que atuam no Brasil - ArcelorMittal, Gerdau, Usiminas e Votorantim - estão desenvolvendo a ampliação de sua capacidade produtiva, com investimentos de 2,6 bilhões de reais. A meta dessas indústrias é atender ao aumento da demanda interna brasileira, principalmente no segmento de construção civil. E a produção de aços galvanizados e de zinco para galvanização atende às exigências cada vez maiores dos grandes projetos por materiais que aliam a durabilidade e a sustentabilidade econômico-ambiental: o aço galvanizado custa um pouco mais caro, inicialmente, mas permite um retorno econômico-financeiro muito superior ao propiciado pelo mesmo metal sem galvanização, quando computados os custos com manutenção, reforma e/ou reconstrução. A sua durabilidade até cinco vezes superior também traz ganhos ambientais, por diminuir o consumo de recursos naturais.

A capacidade de atender à demanda crescente por produtos que incentivam a industrialização da construção nas mais diversas áreas - habitacional, aeroportuária, portuária, de logística e transporte, hospitalar, rodoviária, metroviária e de energia, entre outras -, com qualidade e durabilidade asseguradas por processos produtivos de elevada tecnologia, faz com que projetos e obras adotem cada vez mais o aço como a melhor opção. Os exemplos são inúmeros e se espelham pelo país. Em São Paulo, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), que tem se notabilizado pelo uso de materiais e sistemas sustentáveis em seus projetos e obras de habitações populares, utilizou o steel frame – sistema construtivo estruturado por perfis metálicos galvanizados – para a construção da primeira Vila Dignidade, programa habitacional para idosos. São 22 casas de 42 m², com sala e cozinha conjugadas, quarto e banheiro, ao custo unitário de R$ 44.300,00, e com área de conveniência social, concebidas como pequenas vilas. O projeto habitacional Cosipa é outro que utiliza perfis metálicos galvanizados na estrutura e telhados. Desenvolvido inicialmente para a construção de unidades modulares de 36 m ² de área útil, tem possibilidade de expansão para três dormitórios, com o uso de um kit de 18 m². Devido à sua versatilidade, esse projeto-padrão pode ser utilizado em diversos tipos de planta e soluções arquitetônicas. A opção pelo steel frame, que passou por ensaio de desempenho no Instituto de Pesquisa Tecnológicas (IPT), e pela estrutura em aço galvanizado sintetiza a preocupação da CDHU com construções de qualidade, manutenção, item essencial em construções populares.

Além da CDHU, prefeituras e órgãos públicos também passam a utilizar a estrutura metálica galvanizada para erguer construções sustentáveis. Um exemplo dessa opção são as obras do Módulo Esportivo do Rio Verde, GO, cujo destaque é o Ginásio Poliesportivo, com capacidade para sediar eventos esportivos oficiais. A alternativa adotada pela Secretaria de Esportes de Rio Verde representa um exemplo para as prefeituras brasileiras que, embaladas pela Copa 2014 e Olimpíada 2016, devem construir novos equipamentos esportivos para suas populações. Em Cuiabá, a nova Arena Pantanal, que sediará os jogos da Copa 2014, também utiliza o aço galvanizado em 30% de sua estrutura – a parte desmontável do estádio, que assim poderá encolher, após o término da Copa 2014, reaproveitando essas estruturas para construção de equipamentos esportivos menores, em outras cidades. Essa durabilidade e versatilidade das estruturas em aço galvanizado também podem ser encontradas em um ícone da arquitetura mundial, o prédio da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre. Projetado pelo renomado arquiteto português Álvaro Siza, premio Pritzker de Aquitetura de 1992, o prédio conta com armaduras em aço galvanizado em sua bela estrutura de concreto revestido com cimento branco, garantido a proteção contra a oxidação e a corrosão desses elementos, fundamental em cidades à beira-mar, como Porto Alegre. Outro empreendimento que se constitui em um emblema, pela sua concepção estrutural, estética e, principalmente, social, o Teleférico que interliga, com seis estações, 23 favelas do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, conta com aço galvanizado em boa parte de sua estrutura e elementos metálicos dessa obra do PAC.

A usina de álcool de Ravenna, nos Estados Unidos, é um exemplo internacional do uso de materiais galvanizados em instalações industriais sob alta agressividade ambiental, que exigem, assim, elevada resistência para diminuir custos com manutenção e a necessidade de parada da produção decorrente. Ali, setores fundamentais, como calha da moenda, cone do rotor do exaustor, escadas, guarda-corpos, corrimãos e chaparias (grandes de piso e plataforma) utilizaram aço galvanizado para atender à especificação de projeto e garantir a durabilidade, sem necessidade de manutenção, por mais de três décadas.

O Programa Minha Casa, Minha Vida tem como meta construir 2 milhões de moradias para ajudar a diminuir o déficit habitacional de, segundo o IBGE, 7,2 milhões de habitações. Para isso, precisa recorrer a sistemas construtivos pré-fabricados, nos quais a qualidade e a durabilidade do aço galvanizado representam garantia contra problemas futuros, como comprovam os ensaios do IPT e o exigido pela norma ASTM B.633, de que a camada de zinco aplicada por imersão a quente no aço deve oferecer proteção contra a corrosão por, no mínimo, 25 anos.

Esses exemplos significativos, brasileiros e internacionais, das vantagens proporcionadas pelo uso de estruturas e elementos metálicos galvanizados permitem afirmar que o futuro da construção civil brasileira, em suas diversas áreas, passa pela industrialização, com qualidade e durabilidade asseguradas. Em resumo, pelo aço galvanizado.

*Regislaine Guizelini é engenheira do Departamento de Desenvolvimento de Mercado da Votorantim Metais - Unidade de Negócios Zinco.

Artigo escrito por Regislaine Guizelini

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