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Setor imobiliário derruba lucro global

O banco Santander, maior na zona do euro, informou uma queda acentuada em seu lucro anual, após ter reservado dinheiro para cobrir prejuízos relacionados com retomadas de bens no setor imobiliário espanhol. Os bancos espanhóis têm em seus balanços o equivalente a centenas de bilhões de euros de terras e propriedades invendáveis e empréstimos irrecuperáveis concedidos a incorporadores falidas, quatro anos após um colapso nos setores habitacional e de construção civil.

As perspectivas sombrias do Santander para o setor vêm um dia após dados mostrarem que a economia espanhola parece a caminho de uma recessão.

O banco espanhol aproveitou a oferta do Banco Central Europeu, que disponibilizou empréstimos baratos em dezembro, disse seu presidente-executivo, Alfredo Saenz, e usou o dinheiro como um "amortecedor", em vez de emprestá-lo a tomadores. O lucro líquido do grupo caiu 35%, para € 5,35 bilhões em 2011.

Só no quarto trimestre, o lucro caiu 98% com a antecipação de regras mais duras para o reconhecimento de perdas no segmento imobiliário e com a queda nos ganhos no Reino Unido e no Brasil. O ganho recuou a € 47 milhões, ante € 2,1 bilhões no mesmo período do ano anterior.

O Santander assumiu uma provisão de € 3,2 bilhões, dos quais € 1,8 bilhão permitirá ao banco admitir prejuízos envolvendo propriedades espanholas retomadas por falta de pagamento a 50% de seu valor contábil, acima dos 31% anteriores. A depreciação de ativos imobiliários retomados pelo banco está agora em nível compatível com a "limpeza" promovida em 2009 na Irlanda, após um estouro de uma bolha semelhante.

"Eles estão sacrificando o presente para desenvolver um futuro melhor", disse Alejandro Varela, gestor de fundos na Renta 4, em Madri. "Quanto mais rápido admitirem as perdas, mais rápido veremos uma recuperação nos próximos trimestres."

O governo deve anunciar nesta semana novas regras que obrigarão os bancos a reconhecer perdas relacionadas a empréstimos concedidos a desenvolvedores imobiliários e a imóveis retomados por inadimplência, com o objetivo de limpar balanços e ampliar o fluxo de crédito para a economia. Alguns analistas ficaram desapontados com o fato de o Santander não ter rebaixado o valor contábil dos empréstimos a empreendedoras falidas na mesma medida em que o fez nos casos de retomadas de imóveis.

Completar provisões contra o setor imobiliário espanhol será prioridade neste ano, disse o presidente do banco, Emilio Botin. A exposição total do banco ao setor é de € 32 bilhões. Os créditos podres, como percentual do total de empréstimos aumentou em todo o grupo, saltando para 5,5%, na Espanha, em 2011. Os empréstimos podres podem chegar a 6% no próximo ano, na Espanha, onde uma em cada quatro pessoas está desempregada, disse Saenz. Ao contrário dos bancos nacionais mais fracos, o Santander pode absorver maiores provisões graças a seus prósperos negócios fora de Espanha, especialmente na América Latina. A Espanha contribui com menos de 10% do lucro do grupo.

Da Redação, original Valor Econômico.