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Depois de recuar 5% e ser o destaque negativo do PIB em 2017, o setor se organiza para levar ao Congresso Nacional pautas que fomentem novas obras; para este ano, previsão é de nova retração

Obra parada: o piscinão de Aricanduva, em São Paulo, é um exemplo de atraso em licitações públicas (FOTO: ESTADÃO CONTEÚDO)

O tombo de 5% do PIB da construção em 2017 parece não ter surpreendido empresários e entidades do setor. Com modelos considerados antiquados tanto para o financiamento imobiliário quanto para repasse em obras públicas, o segmento seguirá “correndo atrás do próprio rabo.”

Os gargalos centrais das demandas trazidas pelo mercado estão entre as 15 medidas econômicas prioritárias anunciadas em fevereiro pelo presidente Michel Temer, que prometeu dar resolução rápida a assuntos espinhosos como a regulamentação dos distratos na compra de imóveis e novas normas para as licitações públicas.

A capacidade do presidente de tirar esses assuntos do papel, no entanto, segue incerta. “Este não é o primeiro presidente, nem será o último, que promete dar atenção a esse tipo de pleito. Estou no setor há 15 anos, faço parte de cinco comitês de discussão, e nada acontece”, contou ao DCI o fundador da Pina Construções, Claudio Pina.

O executivo, que trabalha quase que integralmente por meio de obras públicas, conta que a regulamentação e padronização das formas de licitação são bastante necessárias. “A insegurança jurídica é imensa. Eu trabalho com obras públicas em pelo menos 15 municípios entre Minas Gerais e Mato Grosso, cada um tem uma regra.”

Futuro incerto

 

Futuro incerto

Enquanto os pleitos dos empresários seguem incertos, o presidente do Sindicato da Construção (SindusconSP), José Romeu Ferraz Neto, diz estimar mais um ano de retração para o PIB do setor em 2018.

“A desaceleração dos últimos dois anos ainda vai gerar impacto na construção em 2018 devido à inércia do setor.” Outro fator que tem se mostrado bastante adverso é a sustentabilidade do mercado, que tem recebido cada vez menos investimento e obras públicas.

“Hoje, pouco mais de 50% da movimentação na indústria da construção está ligada a pequenas reformas familiares. Não temos novas obras iniciando e no ramo imobiliário ainda há estoque disponível.”

Os entraves também foram sentidos no valor adicionado ao setor, que encolheu 1,6% no 4º trimestre de 2017, o décimo declínio consecutivo.

Para o presidente da entidade, a questão do financiamento para obra pública é latente. “Precisamos estabelecer um PMO [Gerenciamento de Projetos de Construção, na sigla em inglês] para elencar as necessidades de infraestrutura, com taxas de retorno definidas pelo mercado, além de segurança jurídica nos contratos”, opina o executivo, ressaltando também o impacto que essa queda traz no emprego brasileiro, já que em 2017 mais 125 mil postos de trabalho foram encerrados.

Todos do mesmo lado

Para fortalecer o discurso homogêneo do setor, a associação que representa as grandes incorporadoras, Abrainc, fez na última semana um evento com outras 30 entidades, entre elas a Fies, a Abrasce e a Abramat, para propor a criação de uma rede, para juntos, defenderem os interesses do setor da construção. Segundo o presidente da Abrainc, Luiz França, essa discussão é bastante relevante, uma vez que o setor representa 8% do PIB do País.

 

Fonte: DCI

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