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Fabricantes de itens que entram na fase final das obras projetam crescimento para este ano, com base na melhora da renda e do emprego. Neste cenário, empresas tiram projetos da gaveta

Indústria de materiais de construção reagiu com a busca do brasileiro por itens de reforma para o lar (FOTO: ESTADÃO CONTEÚDO)

A recuperação do mercado de acabamento deverá garantir à indústria de materiais de construção, em 2018, o primeiro desempenho positivo em três anos. Neste cenário, os investimentos dos fabricantes já começam a retornar.

É o caso do grupo Astra, que vai ingressar no Nordeste. Segundo o superintendente Manoel Flores, o segmento de acabamento começou a reagir a partir do último quadrimestre do ano passado, quando as vendas atingiram alta de 10% sobre o mesmo intervalo de 2016. “O varejo de construção voltou a crescer com a melhora do emprego, que elevou a produção da indústria destinada às reformas. Mas o segmento de construção, que foi o que mais caiu durante a crise, ainda segue sem sinais de recuperação”, diz Flores.

A melhora nas perspectivas, mesmo se tratando apenas da área de acabamento, levou a Astra a tirar do papel o plano de abrir sua primeira planta fora da cidade de Jundiaí (SP). A escolha deverá ser anunciada até março, mas se trata de uma cidade da região Nordeste, provavelmente em Pernambuco, que se beneficia de melhores condições logísticas, avalia o executivo. O restante da produção continuará em São Paulo.

Os aportes à nova planta devem totalizar cerca de R$ 10 milhões ao longo dos próximos três anos. “Até setembro ou outubro, passaremos a operar a partir do Nordeste, que representa 20% das nossas vendas”, afirma. “Queremos aproveitar os incentivos fiscais e ir diluindo os investimentos ao longo dos próximos anos.”

Os aportes da Astra no ano passado somaram cerca de R$ 5 milhões, montante que deve avançar entre 10% e 20% este ano, incluindo os gastos com o início da operação nordestina. Ele explica que esse aporte será minimizado pelo uso de máquinas ociosas da fábrica paulista, que serão deslocadas à nova planta. Hoje, a Astra opera com um nível de uso da capacidade entre 50% e 60%, que poderá avançar para aproximadamente 70%, caso o cenário mais positivo para 2018 se confirme, prevê o executivo. “No auge da crise, recuamos para 45%”, conta.

O faturamento da empresa atingiu R$ 505 milhões no ano passado, estável frente um ano antes. Já em termos de volume, houve um incremento de 4,5%. Com as operações da Japi, a receita somou R$ 585 milhões.

Para 2018, o executivo da Astra calcula que o faturamento da empresa possa crescer até 10%, com o volume acompanhando este ritmo, diante de uma expansão estimada de 3% do Produto Interno Bruto (PIB). Ele ressalta ainda que não há expectativa de alta dos preços este ano, após reajuste de 4% no final de 2017. O cenário traçado pela Astra é corroborado pela Associação Brasileira das Indústrias de Material de Construção (Abramat). Segundo o presidente da entidade, Walter Cover, as vendas, em termos reais, deverão avançar cerca de 1,5% em 2018. Dessa forma, será o primeiro resultado positivo desde 2014. Em 2015, o faturamento do setor recuou 6%, em 2016 caiu 13% e no ano passado houve retração de 4%. “Esperamos que o varejo da construção tenha novamente um ano de crescimento, em torno de 3%, enquanto o segmento da construção civil deve empatar com 2017”, diz Cover.

No ano passado, os materiais de acabamento registraram alta de 5%, ao passo que as vendas destinadas às construtoras caíram 15%. “O acabamento foi beneficiado no ano passado também pela liberação de recursos do FGTS. Isso ajudou no incremento da renda destinada aos gastos com reformas”, complementa.

Em relação aos investimentos, Cover avalia que as empresas podem começar a ingressar num novo ciclo de crescimento, e por isso podem aproveitar o momento atual para destinar recursos ao aumento de capacidade. “Este ano será melhor para as construtoras, porque há projetos de infraestrutura parados, que devem sair do papel; o governo promete retomar o Minha Casa Minha Vida; a melhora no clima [econômico] pode levar os empresários a retomar projetos que estavam paralisados. Esperamos uma retomada, mas não vai ser um crescimento muito vigoroso”, esclarece.

 

Fonte: DCI

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