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Startup brasileira aposta que técnica mais robótica podem deixar moradias até 80% mais baratas?

Anielle Guedes, 24, apresentou seu projeto à ONU, em Genebra, e ao Canadá

RIO DE JANEIRO. Nos últimos três anos, a paulistana Anielle Guedes, 24, esteve em 36 países, pelo menos um evento por semana. As viagens têm como objetivo buscar apoiadores e clientes para um projeto de construção de habitações populares usando a tecnologia de impressão em 3D.

Após iniciar, sem concluir, os cursos de economia e física na USP e fazer pós-graduação na Singularity University, da Nasa (a agência espacial dos Estados Unidos), Anielle fundou em 2015 a startup Urban 3D, que hoje já é uma empresa operacional.

O projeto, que nasceu após a temporada na Nasa, foi inspirado em uma experiência como tradutora de um programa que trouxe 45 pessoas do Massachusetts Institute of Technology (MIT) para passar uma temporada em favelas de São Paulo em 2012.

“Essa experiência mudou minha vida. Nasci em São Paulo, mas nunca tinha visitado diversas partes da cidade”, conta ela, que nasceu na região da avenida Paulista e cresceu em Santana e Atibaia.

Mas a ideia da construção de moradias 3D só foi desenvolvida a partir da experiência na Califórnia, quando a turma da Singularity University foi desafiada a pensar em tecnologias para a ocupação de Marte: a impressão em 3D, a partir de qualquer material encontrado por lá, surgiu como alternativa para a construção de edificações sem a necessidade de transportar material.

Hoje, a Urban 3D trabalha para tentar colocar de pé uma unidade-piloto, com capacidade para produzir estruturas de 13x4 metros. Ela quer usar robótica e impressão 3D para criar módulos pré-formatados digitalmente. Pavimentos, vigas e paredes serão impressos por grandes máquinas, usando o concreto que será desenvolvido pela startup.

Sua meta é reduzir o custo de construção em até 80%, dada a maior flexibilidade para definir os desenhos e à possibilidade de uso de material mais barato ou sustentável, como resíduos da construção civil.

A ideia era iniciar a produção no início do ano que vem, mas o prazo será estendido, porque a Urban 3D ainda não captou o volume necessário de recursos.

A empresa precisa de uma primeira construção para obter os certificados exigidos para habilitar a técnica a buscar financiamento de projetos oficiais de moradia, como o Minha Casa, Minha Vida.

A Urban 3D já conta com um cliente no ramo da construção civil e um investidor, cujos nomes Anielle Guedes prefere não revelar. Ela diz que conversa ainda com possíveis parceiros na Ásia e no Oriente Médio.

“Há poucos agentes dispostos a financiar tecnologia no Brasil. Ainda mais tecnologia de interesse social”, comenta ela, que costuma citar dados sobre déficit habitacional e projeções de urbanização para justificar o projeto.

“Temos problemas reais muito sérios, então não é só criar um aplicativo bonito e pronto. Se ele não atinge um problema real, como educação, segurança, alimentação, transporte, a empresa está criando uma coisa estética e superficial só para vender. Tem essa inovação que impulsiona o consumo, mas não impulsiona a qualidade de vida”, diz Anielle, revelando seu espírito questionador.

Enquanto isso, a startup começa a gerar receita com outro produto, um sistema de rastreamento de material usado na construção civil, da sua fabricação à montagem no canteiro de obras. Ainda não dá lucro, mas ela se diz otimista com relação ao futuro da empresa.

 

Fonte: O Tempo

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