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Parecer de 2006 já alertava sobre a necessidade de vistoria em 17 viadutos em volta do Conjunto Nacional e da Rodoviária do Plano Piloto

O desabamento de parte de um viaduto no Eixão Sul, ontem, e a queda de uma laje da garagem de uma quadra da Asa Norte, na madrugada de domingo, não são coincidências e descortinam o descaso com a manutenção predial no DF, avaliam especialistas em construção civil. Segundo engenheiros, arquitetos e professores, a falta de uma cultura preventiva faz com que os governos priorizem novas construções. A negligência é tanta que extrapola prédios públicos e obras de arte especiais (OAE), como viadutos e pontes, e chega aos edifícios residenciais. Além disso, a ausência de políticas e estratégias voltadas para a conservação coloca os cidadãos de Brasília em risco constante.

Para o presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil no DF (IAB-DF), Célio Melis Júnior, é sintomático ter ocorrido dois acidentes de mesma natureza em questão de dias. “Isso sinaliza que todo o corpo técnico capacitado tem de se preparar para que se abra uma frente de trabalho de vistoria e obras de manutenção”, alertou. “Brasília deveria ter passado por isso. As vistorias precisam ser periódicas, sistemáticas e não podem ser preteridas”, avaliou.

Tesourinhas

Tesourinhas

João Carlos Teatini, professor aposentado do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília (UnB), é autor de um parecer apresentado à Agência de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano do GDF em 2006, no qual fez um alerta sobre a necessidade de vistoria em 17 viadutos em volta do Conjunto Nacional e da Rodoviária do Plano Piloto. “Há 12 anos, classificamos quais mereciam intervenção imediata, porque estavam em estado crítico. O que rompeu hoje (ontem) era um deles, portanto, não era nenhuma novidade que merecia manutenção”, disse. Teatini estimou que a recuperação do viaduto da Galeria dos Estados deve levar um ano. “Vão ter de interditar tudo, escorar todo o viaduto. Não é obra rápida.”

O vice-presidente do IAB-DF, Frederico Barboza, explicou que, quando Brasília foi construída, surgiu uma nova tecnologia, chamada concreto protendido, utilizado no viaduto que ruiu. “É uma técnica de fazer o concreto armado com uma tensão prévia, o que aumentava a capacidade de vão, permitia que os pilares ficassem mais afastados uns dos outros e suportassem mais peso. Esse tipo de estrutura era uma coisa nova, mas, como todas as outras, depende de manutenção”, destacou. “Uma infiltração, o que não é incomum, pode comprometer a ferragem”, completou.

Várias tesourinhas de Brasília também estão com ferragens expostas, alertou Marcontoni Montezuma, engenheiro e diretor do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF). “E vários prédios residenciais também precisam fazer revisões”, disse. 

 

Fonte: Correio Braziliense

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