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Após recuar 24% do segundo trimestre de 2014 até o terceiro de 2017, o PIB da construção deve registrar alta tímida em 2018, de 2%, segundo projeções colhidas pelo Valor Data, puxada principalmente pelo consumo de materiais de construção pelas famílias e pelo programa Minha Casa, Minha Vida. A infraestrutura continuará a desejar diante das incertezas eleitorais e da restrição fiscal dos governos. A projeção é que o PIB do setor tenha caído 6% em 2017, após recuos de 0,9% em 2014, de 3,9% em 2015 e 9,5% em 2016. O produto do setor tem peso de 6,4% no PIB total do país.

Ao longo de 2017, a confiança das empresas aumentou gradativamente, puxada pelas expectativas, segundo sondagem mensal feita pelo Ibre-FGV. O tom positivo continuou em janeiro "A retomada da economia deve ajudar a construção e o aporte de R$ 15 bilhões na Caixa, se houver, dará uma perspectiva mais favorável ao segmento imobiliário", diz Itaiguara Bezerra, coordenador da sondagem. O instituto estima aumento de 1,1% no PIB do setor em 2018.

Há um aumento gradual na confiança do segmento de edificações residenciais. O de preparação de terrenos, que costuma antecipar tendências, tem avançado desde o segundo trimestre de 2017. "As empresas do segmento imobiliário fizeram um grande ajuste em 2017, cortaram mão de obra, reduziram dívidas, otimizaram operações e, em 2018, têm uma capacidade maior de retomada", afirma Ricardo Jacomassi, da TCP Latam. Esse movimento, diz, aliado à melhora das condições de crédito e ao aumento da confiança do consumidor, deve ajudar o segmento de imóveis. A estimativa da consultoria para o PIB da construção é mais otimista: crescimento de 2% neste ano.

Segundo Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos da construção do Ibre-FGV, a empresas sinalizam que o pior momento do setor já passou. E nas famílias, diz, a demanda por materiais deve crescer. "O consumo das famílias representa 46% do valor adicionado na construção", diz.

Se o Minha Casa, Minha Vida e o consumo doméstico de materiais devem ajudar, na infraestrutura a situação continuará complicada, afirma. As grandes incertezas em torno da eleição presidencial deste ano não devem afetar o consumo das famílias, mas vão manter os investimentos em suspenso. Jacomassi, da TCP Latam, pondera que nas cidades já se percebe uma retomada de obras pequenas e médias, por causa da eleição, mas também da deterioração após três anos sem investimentos. "Há a complicada questão fiscal de Estados e municípios, a limitação da Caixa e do BNDES, mas também a necessidade de fazer obras de iluminação, saneamento, recapeamento de vias", observa.

Mas a disposição das empresas da construção para investir continua baixa, observa Bezerra. Ele cita pesquisa feita pela FGV no quarto trimestre de 2017 informa que ficou quase estável o percentual das companhias que estimam aumentar o aporte em capital fixo nos 12 meses seguintes: passou de 13,4% no fim de 2016 para 13,2% no fim de 2017. A que pretendiam diminui-lo saíram de 34,8% para 28,2% e as que manteriam os mesmos níveis, de 51,8% para 58,6%.

O percentual daquelas que deram como certa a efetivação dos investimentos era baixo, mas subiu de 9,7% para 13,3%. A fatia que disse ser incerta essa realização ficou caiu de 60,9% para 56,8%.

As estimativas das associações do setor corroboram este cenário ainda frio desenhado pelas sondagens. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) estima crescimento de 2% este ano desde que questões como a capitalização da Caixa e a regulamentação de distratos sejam resolvidas.

No varejo de materiais de construção houve aumento de 6% no faturamento em 2017, o que fez o valor voltar ao nível de 2015, segundo a Associação Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção (Anamaco). A expectativa é de crescimento de 8,5% em 2018. Em comunicado divulgado no fim do ano passado, o presidente da entidade, Cláudio Conz, afirmou que o mercado de reformas já mostrava sinais de retomada diante do aumento da confiança do consumidor.

 

Fonte: Valor Econômico

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