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Quando uma construção ou reforma acaba, as sobras da obra geralmente acabam sendo levadas para aterros sanitários, ou, ilegalmente, para terrenos baldios ou mesmo em praças e esquinas e nas margens de rios. Esta, infelizmente, é a cena mais comum na imensa maioria das cidades brasileiras. No entanto, para o presidente do CAU/SP – Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo, Gilberto Belleza, esse quadro vem aos poucos mudando, ainda que bem lentamente.

“É verdade que o país ainda engatinha quando o assunto é a reciclagem dos materiais utilizados na construção civil. Ou seja, a cultura do desperdício ainda vigora. Mas nos últimos 10 anos já houve uma evolução”, diz o presidente do Conselho.

Além do surgimento de centros de coleta e seleção de materiais que sobraram de obras da construção civil em algumas cidades do país, também passou a existir entre alguns arquitetos e construtores uma preocupação que vai desde a escolha de materiais novos, menos poluidores e mais eficazes para determinados fins, até a busca pelo chamado canteiro limpo. “Com a redução da utilização de material de alto impacto ambiental, a diminuição de resíduos e o uso criativo e eficiente de material reciclado de outras obras.

Um bom exemplo desse tipo de ação de reciclagem em um espaço público na cidade de São Paulo é o Parque do Povo. Os passeios internos e o piso da ciclovia do parque, assim como as calçadas externas que o rodeiam, foram inteiramente feitos com material como cimento, concreto e tijolos reciclados e reaproveitados de outras obras. “Os passeios externos, que não impermeabilizam o solo, também foram construídos com entulho reciclado. É o que chamamos de ‘entulho limpo’. O material foi separado, moído e virou tijolo para o piso”, revela o arquiteto André Graziano, que trabalhou no projeto e é Conselheiro do CAU/SP.

Apesar de não apresentar tantos riscos diretos à saúde humana quanto o lixo doméstico e o lixo hospitalar e de serviços de saúde, a construção civil também é uma atividade geradora de impactos ambientais e seus resíduos têm representado um grande problema para ser administrado nas cidades. Um dos principais problemas para gerenciar e disciplinar a destinação dos resíduos sólidos da construção civil está no fato de a maior parte das obras serem executadas na “informalidade”. Segundo estimativas, até 75% dos resíduos desse setor advêm de obras de construção, reformas e demolições geralmente realizadas pelos próprios moradores dos imóveis.

Já as grandes obras, em geral feitas por grandes empreiteiras, teriam mais condições de direcionar o entulho para a reciclagem. O que faltaria então seria o trabalho de conscientização, incentivo e fiscalização das pequenas obras por parte dos governos municipais. Os arquitetos dessas obras poderiam também exercer uma espécie de “catequese”, uma influência positiva sobre esses moradores, para que o entulho dessas obras venha a ter o destino certo, conclui a arquiteta Mirtes Luciani, coordenadora do GT de Meio Ambiente do CAU/SP.

 

Fonte: Ex-Libris/Assessoria de Imprensa

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