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Obra-Prima do Dia: Arquitetura - Cathédrale de Notre Dame de Chartres

A belíssima Catedral de Chartres foi inaugurada em 24 de outubro de 1260. Fica a menos de 100 km de Paris. Foi nela que Henrique IV, rei de Navarra, protestante, foi sagrado rei de França após aceitar a exigência de se converter ao catolicismo com a frase que marcou seu reinado: “Paris vale bem uma missa” ( apesar de não ser versão absolutamente rigorosa).

Chartres, a imponente catedral em estilo gótico, se me for permitida uma opinião pessoal, é minha catedral favorita. Seus vitrais são o que os meus olhos viram de mais bonito até hoje, excluindo sempre, e em todas as ocasiões, as crianças.

Mas, sem contar as crianças, nada se compara ao azul de Chartres e à sensação de paz que senti ali. Espero que a imagem do vitral que representa a Natividade, com Maria e seu Filho recebendo a visita dos Três Reis Magos, permita que o leitor sinta a beleza dos magníficos vitrais de Chartres.

Na imagem que apresentamos talvez dê para compreender o que essa igreja significou para os viajantes que vinham de longe. Agora, procurem imaginar essa imensa catedral, sem nada mais em volta a não ser o vasto trigal da planície de Beaune e bem junto dela, um pequeno casario. Calculem então como se sentia o camponês da Idade Média.

Até hoje, quando deixamos a estrada principal e pegamos a vicinal que nos leva a Chartres, bem longe ainda, distantes da cidadezinha, sua silhueta vai crescendo, crescendo, e à medida que nos aproximamos da igreja, como seu tamanho impressiona. Penso então no peregrino que vinha a pé...

Se ele se sentia pequenino, ao entrar naquele imenso e maravilhoso espaço, repleto de quietude e beleza, com a luz filtrada pelos vitrais de cores celestiais, ele podia deixar de temer a Deus?

Há no piso da catedral um labirinto, no chão, todo em mosaicos de mármore. No centro está uma rosa. Para chegar ao centro é preciso caminhar pelos quadrantes que representam a cruz de Cristo. A rosa representa a força do cristianismo.  Esse labirinto, ao contrário de outros labirintos, não foi feito para que o cristão se perdesse, foi feito para que se encontrasse com sua fé. Tornou-se rota alternativa de peregrinação a Jerusalém. Impossibilitado de ir à Terra Santa, o fiel da Idade Média o percorria de joelhos.

Todas as catedrais da Idade Média tinham seu labirinto, mas poucas são as que o conservam até hoje.

Nas catedrais góticas, a fé está nas pedras e nos vidros. Emociona.

Redação Original O Globo


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