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Obra24horas > Entrevistas > Entrevistado: Welson Bassi


Para-raios: Empreendimentos devem ficar atentos a manutenção do equipamento

 

Welson Bassi
Está aberta a temporada de raios no Brasil. As nuvens carregadas dão o sinal. É muita energia concentrada que cai em forma de raios.  O verão concentra cerca de 80% das descargas elétricas atmosféricas de todo ano. Cerca de 50 milhões de raios caem sobre o território brasileiro todo ano e provocam a morte de, em média , 131 pessoas. Somente este ano, 72 pessoas já morreram atingidas por raios no País, conforme o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Somos o país mais atingido no mundo. As previsões para os próximos meses não são nada animadoras: o número de raios no Brasil deve aumentar consideravelmente até março. As regiões mais atingidas são Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Só no estado de São Paulo caem cerca de dois milhões de raios por ano – 1,5 milhão apenas no verão.
O momento é mais que propício para verificar como estão, em casa e no trabalho, os para-raios. Muitas vezes o edifício possui o equipamento, mas ele pode estar mal instalado ou ainda ter os seus efeitos anulados por conta de uma antena mal colocada. Por isso é tão importante que as construções mantenham um sistema eficiente de para-raios. O Portal Obra24hoars conversou com o engenheiro chefe da Seção Técnica e Laboratório de Alta Tensão, da Universidade de São Paulo (USP) - Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE), Welson Bassi, para saber dos cuidados que devem ser levados em conta com os para-raios. Confira a entrevista.
Portal Obra24horas: Dezembro é marcado pelas chuvas e tempestades de raios. Até que ponto um para-raio protege um empreendimento dos efeitos destas manifestações climáticas?
Welson Bassi: O termo conhecido como “para-raios” é de fato dúbio, pois não há como parar ou deter o raio. Podemos minimizar os efeitos danosos que ele pode causar, mas a designação correta é Sistema de Proteção Contra Descargas Atmosféricas (SPDA). Esse sistema, composto por elementos que captam as descargas e as dissipam até o solo, tem como principal objetivo minimizar danos à estrutura e resguardar o conteúdo da edificação buscando-se evitar ocorrência de incêndios, explosões e impacto direto em pessoas e equipamentos dentro da instalação protegida. O sistema, entretanto, não é 100% eficiente. As normas vigentes tratam dos detalhamentos e critérios de projeto e devem ser feitos por profissionais habilitados. Outro aspecto é a proteção dos equipamentos eletrônicos, ou seja, evitar que haja danos ou “queima” desses equipamentos. Isso atualmente ganhou grande importância, mas não é o objetivo do SPDA.
 
Portal Obra24horas: Existe um diâmetro, considerado mais seguro, a partir do local da instalação de um para-raio?
Welson Bassi: Pode-se dizer que uma dada edificação, com ou sem para-raios, apresenta uma dada região de captação. Assim, prédios e outros objetos próximos a uma edificação mais alta têm menos probabilidade de ser atingida diretamente por um raio. Porém, para uma proteção pessoal efetiva, recomenda-se que a pessoa se abrigue dentro de uma edificação solidamente construída de alvenaria (com ferro em sua estrutura). Se estiver do lado externo, próximo a um caminho natural da corrente do raio, poderá haver uma descarga lateral ou passagem de correntes que atinjam a pessoa. Outro abrigo eficiente é um automóvel com suas portas devidamente fechadas.
 
Portal Obra24horas: Qual é o tempo de vida de um para-raio e quais os cuidados preventivos na manutenção do equipamento?
Welson Bassi: Uma vez corretamente construído, um SPDA tem uma durabilidade longa. Como, entretanto, os componentes estão sujeitos a agressões como vento, chuva, sol e  corrosão, a manutenção é extremamente importante para garantir que estejam sempre íntegros e a ligação com o aterramento esteja sempre eficaz. A norma brasileira trata desse aspecto e as inspeções e manutenções devem também ser tratadas por profissionais registrados e habilitados.
 
Portal Obra24horas: Quais os avanços na área no que diz respeito ao equipamento?
Welson Bassi: Os avanços e pesquisas sobre o assunto se refletem em revisões frequentes das normas internacionais e nacionais. O objetivo é agregar confiabilidade e adequação do projeto às diversas condições encontradas na realidade. Um aspecto relevante atualmente crescente é a proteção dos equipamentos eletrônicos tanto evitando que se danifiquem permanentemente quanto, no caso de sistemas de informação, que as descargas atmosféricas não promovam parada indesejada de processamento de informações e sinais.

 

Entrevista para a jornalista Mércia Ribeiro, redatora do Portal Obra24horas

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