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O cobre já é utilizado na humanidade há milhares de anos, para imensa diversidade de produtos como moedas em circulação, confecção de objetos e produção industrial ao longo do tempo. Sua aplicabilidade, no entanto, ainda o permite ser explorado de inúmeras formas. Por ser também totalmente reciclável e oferecer a possibilidade de se moldar novamente sem perder a qualidade e suas propriedades, principalmente a condutividade térmica e elétrica, deve ser observado com muita atenção como opção para o desenvolvimento e aprimoramento de produtos em diversos segmentos. Em um momento crítico para o meio ambiente, mas também de expansão e intensa atividade econômica, o cobre com suas propriedades únicas está conectado diretamente a essa preocupação global no desenvolvimento sustentável. Neste artigo quero focar em dois temas desse imenso universo de aplicabilidade do cobre: saúde e eficiência energética.

Foco na saúde

Há mais de dez anos, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (em inglês, Environmental Agency Protection, mais conhecida como EPA) comprovou que o cobre é um metal antimicrobiano cujas propriedades eliminam mais de 99,9% das bactérias. A comprovação foi um marco e, de lá para cá, muitos setores da indústria e do varejo em vários países passaram a instalar itens de cobre em artefatos de uso coletivo, mas ainda há muito a se fazer nesse sentido. São mandatórios investimentos na área da saúde por exemplo. O setor hospitalar precisa entender que o cobre pode salvar vidas de pacientes e estar aberto a mudanças. O estudo realizado pelo Departamento de Defesa dos EUA em três unidades de terapia intensiva diferentes, aponta que o cobre reduz em até 58% o número de infecções em hospitais, um número expressivo que não deve ser ignorado.

No setor supermercadista, por exemplo, pode-se substituir os cabos dos carrinhos por barras de cobre antimicrobiano, visando a segurança dos clientes. Também há bons exemplos na área da saúde e da educação com uso do cobre em hospitais e escolas para inibir a proliferação de microrganismos e prevenir infecções. Bandejas, maçanetas, elevadores, puxadores, corrimãos, mesas. Todos esses itens poderiam ser fabricados com cobre e instalados não apenas em hospitais, mas também em estações de trens e metrôs, rodoviárias, escolas, edifícios públicos, hotéis, restaurantes.

A crescente demanda pela energia eficiente

Segundo o estudo da International Copper Association, realizado pela Copper Alliance, os produtos que contêm cobre tendem a operar de maneira mais eficiente. A utilização dos MEPS - padrões mínimos de desempenho energético em equipamentos industriais e eletrodomésticos - regulamentados pela Agência Internacional de Energia, associada ao uso do cobre, permitiria uma economia de cerca de 350 bilhões de dólares e a redução de 10% no consumo mundial de eletricidade. Deve-se pensar nessa economia a longo prazo, considerar o custo benefício e não apenas os preços de mercado.

A substituição de motores elétricos antigos por motores de alta eficiência, com maior presença de cobre, é também uma alternativa de economia no consumo de energia elétrica e aumento da produtividade na indústria, por exemplo. O que a princípio pode demandar um investimento, a longo prazo representa ganho significativo em durabilidade dos motores e melhor funcionamento, além da possibilidade de reutilizar totalmente o material. São inúmeras possibilidades do uso intenso do cobre para incremento da eficiência energética.

Esta energia eficiente, por sua vez, ajuda a sociedade a gastar menos em novas capacidades de geração de energia e limita o estresse nas redes. Além disso, contribui também para a redução das contas de serviços públicos, aumenta a capacidade de gastos para as pessoas e oferece uma maior competitividade para as empresas. Os produtos energeticamente eficientes liberam menos CO2, o que pode proporcionar impacto rápido e significativo nos objetivos da mudança climática global.

As possibilidades são muitas e a indústria brasileira em diversos segmentos precisa estar atenta aos seus benefícios. O cobre pode contribuir muito com a indústria e acelerar significativamente o desenvolvimento sustentável sendo utilizado em diversas outras frentes, além das que citamos acima. Os ganhos em eficiência e preservação ambiental certamente compensarão todo o esforço em articular as possíveis mudanças necessárias.

Por Miguel Angelo de Carvalho é CEO da Cecil e Elfer, indústrias metalúrgicas de cobre, latão e alumínio

Artigo escrito por Miguel Angelo de Carvalho

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